A cana-de-açúcar (Saccharum officinarum) é a cultura com maior demanda absoluta de magnésio entre as culturas extensivas brasileiras, extraindo entre 40 e 90 kg de Mg por hectare por ano — dependendo da variedade, da produtividade e do número de cortes realizados. Apesar dessa alta demanda, a reposição de Mg nas usinas brasileiras é frequentemente inadequada, sendo o calcário dolomítico a única fonte utilizada — com apenas 6 a 12% de MgO, insuficiente para repor o que é exportado nas colheitas sucessivas.
O Mg desempenha funções fisiológicas críticas na cana que vão muito além da clorofila:
A cana é uma planta C4 — fixa CO₂ via fosfoenolpiruvato carboxilase (PEP-carboxilase), enzima diretamente dependente de Mg como co-fator. A PEP-carboxilase catalisa a primeira etapa da fotossíntese C4 e também participa da síntese de sacarose nos colmos. Deficiência de Mg reduz a atividade dessa enzima, comprometendo diretamente o acúmulo de açúcar — o que se traduz em menor ATR (açúcar total recuperável), o principal indicador de qualidade da cana para as usinas.
O Mg regula o carregamento de sacarose no floema — o sistema vascular que transporta açúcares das folhas para os colmos. Deficiência de Mg compromete esse transporte, resultando em acúmulo de açúcares nas folhas (o que pode ser confundido com excesso de N) e menor concentração nos colmos.
O Si fornecido pelo silicato de magnésio deposita-se na epiderme e nas células de suporte dos colmos, formando uma estrutura mais rígida e resistente. Colmos mais eretos e resistentes resultam em:
Estudos conduzidos em usinas do Centro-Sul do Brasil documentam queda no ATR de 3 a 8 kg de açúcar por tonelada de cana em situações de deficiência moderada a severa de Mg. Para uma usina processando 2 milhões de toneladas por safra, isso representa uma perda de 6.000 a 16.000 toneladas de açúcar — valores expressivos no resultado econômico.
Um dos efeitos mais relevantes do silicato de magnésio na cana é a melhora da rebrota da soqueira após o corte. O Mg é mobilizado intensamente dos rizomas para o crescimento inicial dos perfilhos pós-corte — deficiência de Mg compromete esse processo, resultando em:
A aplicação de silicato de magnésio na reforma, com efeito residual de 2 a 4 safras, sustenta a nutrição mineral da soqueira ao longo de múltiplos cortes — prolongando a vida útil econômica do canavial.
| Fase | Produto | Dose | Momento |
|---|---|---|---|
| Reforma do canavial | Dunito ou Serpentinito | 2,0–2,5 t/ha | Antes do plantio — incorporado |
| Manutenção da soqueira | Dunito ou Serpentinito | 1,0–1,5 t/ha | Pós-colheita, antes da brotação |
Compatível com calcário, gesso agrícola e adubação de plantio (NPK). O silicato de magnésio potencializa a eficiência da adubação ao aumentar a CTC do solo e reduzir a lixiviação de K⁺ e Ca²⁺.
A aplicação de dunito em áreas de cana também é elegível para projetos de Enhanced Rock Weathering (ERW). A olivina presente no dunito reage com CO₂ do solo, gerando bicarbonatos que sequestram carbono. Para usinas que buscam reduzir a pegada de carbono da produção, o dunito oferece duplo benefício: agronômico e ambiental.